segunda-feira, 9 de junho de 2014

Crónicas da India # 10 - Mumbai

Concluída a visita a Varanasi , a “Cidade dos Mortos”, seguimos para a mítica Munbai, cenário do famoso filme: "Quem Quer Ser Milionário?". Uma vez que a distância é significativa, cerca de 1500 km, optámos por voar, ao invés de enfrentar o temível comboio indiano, e demorar cerca de 24 horas a lá chegar. O alojamento estava garantido, já que a E., amiga de uma amiga, fazendo jus à tão aclamada hospitalidade indiana, nos deu guarida, e, assim, conseguimos poupar algum dinheiro.

Com mais de 22 milhões de habitantes, Mumbai é a maior cidade da India, e, também, a mais povoada onde alguma vez estive. Possuindo um ambiente perfeitamente ocidentalizado, em que o lixo e as vacas escasseiam, permitiu-me, pela primeira vez em duas semanas, usas calças de ganga. Até me vieram as lágrimas aos olhos quando me vi enfiada em roupa dita normal. Passo o Cliché, mas só damos importância às banalidades [essenciais] do dia-a-dia quando somos privados delas. Rodeada por dezenas de favelas, as Slums, é uma cidade para ser vivida, em que a noite, os restaurantes, e os mercados consistem em importantes atracções.

Apenas dispúnhamos de dois dias, por isso tivemos que ser pragmáticos, e optámos pela visita às Elephanta Caves, que são património da Humanidade, pelo chá das cinco no mítico Taj Mahal Palace Hotel , o tal que foi atacado em 2008, pela tour na zona de Colaba, e pela incursão a uma das favelas, não esquecendo a cerveja da praxe no Leopold, o café mais antigo da cidade, que também foi atacado em 2008.  De salientar o luxo extremo do Taj Mahal, que por 1200 Rupias (cerca de 17 euros), nos oferece um buffet absolutamente inesquecível. Mais uma vez, os meus olhos encheram-se de lágrimas. Após dias e dias de comida duvidosa, em locais que seriam entaipados pela ASAE, o luxo e o conforto desfilavam à minha frente. Perdi a vergonha, e fui enchendo os pratos com tudo quanto pude, [mesmo apesar do olhar de censura de uma família árabe, que devia estar a comentar a minha falta de educação. Caguei para eles. Os dias de miséria tinham acabado.].

Apesar da escassez de tempo, os dias passados em Mumbai não me dececionaram nem um pouco, sendo que a escolha do best of se revelou uma aposta ganha, pois, com a ajuda do Lonely Planet, a bíblia das viagens, conseguimos  visitar tudo por nós próprios, o que se traduziu por uma poupança de 1000 rupias, cerca de 14 euros. Consegui fazer umas comprinhas, adorei o espírito cosmopolita indiano, achei curioso haver carruagens específicas para homens, e para as mulheres, as quais têm o objetivo evitar o assédio e as tentativas de violação, que, infelizmente, são comuns para aqueles lados. 

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