segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Lobo em Marraquexe – Uma noite das Arábias

Se o Adolfo Luxuria Canibal tivesse escolhido Marrocos, ao invés da Hungria, para se embebedar, a mais famosa música dos Mão Morta seria, seguramente, sobre: “As Noites de Marraquexe”, ao invés de Budapeste. Tal como vos tinha prometido na “Crónica da Viagem”, a noite das Arábias que vivemos merece um post a rigor.

Após a aterragem sob o exuberante nascer do sol africano, e a atribulada chegada ao Riad, descansámos parte do primeiro dia e acordámos fresquinhos, prontos para descobrir os encantos nocturnos da cidade. Confesso que sempre associei Marrocos a camelos; dormidas no deserto; berberes; burcas; aquisição tresloucada de tapetes; candeeiros, e outras quinquilharias. Agora, ir para os copos foi coisa que nunca me passou pela cabeça. Até porque estávamos num país muçulmano. Por isso, a preparação da viagem não incluiu discotecas [ou boates como diziam os nossos avós]. Levei informação sobre os melhores bares e restaurantes, mas os Night Clubs passaram-me totalmente ao lado. Felizmente, o gingarelho chamado Ipad tornou-se numa espécie de terceiro elemento nas nossas vidas, o que deu um jeitasso  [e quase me fez arrepender de estar sempre a falar mal dele].

A Noite de Marraquexe tem diversas opções: Pacha; Nikki Beach; Le Tanjia;  Bô & Zin; Comptoir, etc. Contudo, há uma que brilha mais do que todas as outras. Até porque o diabo não vive ao lado. Vive mesmo lá dentro. De seu nome “Theatro”, é uma verdadeira casa de diversão, perdição, magia e de má vida. Situado na zona nova da cidade, junto aos Casinos e aos hotéis 5*, consiste, basicamente, num antigo Teatro, dos anos 60, convertido em Night Club. A entrada custa 200 Didis [aka Dirhams], cerca de vinte euros, com direito a uma bebida. “Para um país do terceiro mundo, é a puxar para o carote. Mas siga, lá vamos nós levar outra banhada”, pensei. Quando entramos, estava meio vazio e a ideia de termos enfiado um barrete não me saía da cabeça. No entanto, ao fim de meia hora, nem queria acreditar no Festão que se estava a montar. Começaram a chegar hordas de miúdas estrageiras, do tipo “capa de revista”, e de cavalheiros a condizer. As garrafas de Vodka “Grey Goose” não paravam de estoirar nas mesas, sendo que cada uma custava cerca de 300 euros. Nem o Lux em dia de Perdição tinha tanto andamento. Elas, de mini-vestidos e mini, mini calções. “Ehh láa. P0ara um país muçulmano, andamos muito libertinos”, pensei. As malas Chanel, os Louboutin, Jimmy Choo e afins, circulavam à minha volta como as Louis Vuitton na Feira de Carcavelos. E o Lobo [triste e infeliz] vestido meio à turista pobrezinho, só com umas sandalinhas de salto, para dar um toque arranjado, a ver este espectáculo. O armário cheio de coisinhas boas, tinha ficado na tugolândia e não havia nada a fazer. A verdade é que não tinha ido preparada para aquilo. De qualquer forma, curti como se não houvesse amanhã.

 O espaço é enorme, muito bem decorado, cheio de efeitos visuais e os barmans são impecáveis. Usavam camisa aberta e papillon descaído, e transportavam as garrafas em cima da cabeça, o que achei absolutamente genial. E a noite nunca teve pontos mortos. Havia sempre algo de novo a acontecer. Os DJS sempre a mudar, os cantores de Hip Hop, uma companhia de circo veneziana, japoneses vestidos de Michael Jackson, a DJ Americana que cantava como a Beyoncé Aconteceu de tudo lá dentro. E os seguranças tinham uma forma genial de travar os aspirantes a desordeiros: apontavam-lhes com um lazer verde e cara de poucos amigos.

Só ao fim de um bocado é que percebi que as meninas, andavam, por conta própria, à procura de um Árabe rico que quisesse passar momentos felizes a troco de alguns milhares de Didis. Obviamente que me fartei de rir a ver aquele trabalho. Porque era tudo feito com classe e descrição. Como uma imagem vale mais do que mil palavras, aqui fica o report para tirarem as Vossas próprias Conclusões. Mas não vão a Marraquexe sem sair à noite no “Theatro”. Em Lisboa não existe nada que chegue aos calcanhares deste sítio, por isso já decidi: A próxima vez que for a Marrocos, é só para sair à noite e dormir de dia. Que se lixem os Camelos. 




Sem comentários :

Enviar um comentário