quinta-feira, 3 de julho de 2014

Caricato em Imagens #1

Curativo para automóveis com recurso a tecnologia de ponta, na inauguração de mais uma rubrica do Lobo. 

Maleficent by MAC

Quem diria que a mítica vilã da Disney, interpretada por Angelina Jolie no filme “Maleficent” foi caracterizada com produtos da MAC, uma das marcas preferidas do Lobo? Para assinalar o momento, foi lançada uma edição especial com produtos de maquilhagem inspirados na Bruxa Má que atazanou a vida à “Bela Adormecida”. A linha é pautada pela sensualidade, elegância e luxúria, sem esquecer o toque dark. Se pudesse comprava todos. 

Um Dia Mau

Ontem acordei com vontade de cortar os dois pulsos. Passei uma noite horrível, sem dormir, cheia de dores no corpo. Os analgésicos acalmaram-nas durante o dia, mas voltaram à noite, acompanhadas pela amiga febre. Dormitei antes do jantar, mas acordei como se estivesse dentro de um barco, a navegar, algures, entre os icebergues da Gronelândia. Quanto mais me mexia, mais enjoada me sentia, e mais o estômago me doía. Obriguei-me a levantar. Após a décima nona tentativa, decidi que a P*ta da dor não ia levar a melhor. Afinal, o Lobo sou eu. Não havia nada para jantar em casa, e tinha que me obrigar a comer, pois também me sentia a desfalecer [quer dizer, o congelador até estava a abarrotar, mas não tive coragem para cozinhar]. Precisava baixar a febre, mas também não haviam Benurons. “Esta casa parece um campo de refugiados, mas com estantes de sapatos”, pensei. Arrastei-me até ao carro e fui a casa dos meus pais. A minha mãe obrigou-me a tirar a febre: 38ºC. Espectacular. Enfiou-me um Paracetamol goela abaixo, assim como o caldo da massa de peixe. Realmente, mãe só há uma. A coisa lá começou a melhorar. Volto para casa com sacos cheios de fruta, leite e outros alimentos apropriados à minha condição de moribundo, e tento descansar. A febre volta a subir. “Vou tentar um Brufen”, pensei. Passada uma hora, a dita volta novamente a baixar. “Já me sinto com fome. Excelente Sinal”. Deito—me e finalmente consegui dormir, com a esperança que o dia amanhecesse bonito e com passarinhos a cantar.

Enganei-me. Voltei a acordar com febre. E com isto avizinha-se o segundo "Dia Mau". Espetacular.     

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Fim-de-semana Supimpa - Paraíso e Belle Epoque

“A Vida é bela quando se sabe o que fazer com ela”. Esta foi a frase que acabou de me ocorrer, mas que ilustra bem o último fim-de-semana do Lobo. O Sábado acordou meio chocho, a adivinhar chuva. “Pronto, ardeu. Lá vamos ficar a gramar com o mau tempo”, pensei. Ficámos no vai-não-vai em relação ao passeio de barco, mas acabámos por sair, apesar dos aguaceiros. Foi, sem dúvida, a melhor opção. O Sol abriu radioso e proporcionou-nos um dia absolutamente fabuloso no paraíso que é a Arrábida. A praia do “Ribeiro de Cavalo” foi o spot escolhido. Galhofa, risada, boa disposição, mergulhos na água cristalina. Tudo regado com sangria de frutos vermelhos e espumante. Nem em Saint Tropez se deve ter estado tão bem. Sem dúvida um dia maravilhoso para mais tarde recordar.
Para a noite estava marcado um dos eventos do ano: A festa da “Belle Époque”. Mítica discoteca que funcionou, em Sesimbra, entre 1980 e 1996, fez as alegrias [e o júbilo] dos noctívagos da margem Sul e da grande Lisboa. Após o seu encerramento, a memória ficou, e, em 2012, um grupo de antigos funcionários decidiu organizar uma festa de “Remember”, em que reuniu parte do antigo staff. Os barmans, os DJS, os “apanha-copos”, os porteiros, o pessoal do bengaleiro era praticamente o mesmo, o que nos fez viajar no tempo. Durante a festa, foram projectadas fotos da antiga “Belle Epoque”. E constatámos que o tempo passou [as rugas e os kilos apoderaram-se, à má fila, de algumas pessoas], mas a vontade de nos divertirmos continua a ser a mesma.
Este ano o Lobo não podia, de forma alguma, faltar a este grandioso evento, organizado no Gliese Bar. Assim, e apesar de só ter frequentado o espaço nos últimos tempos [quem não se lembra das míticas festas da espuma?], compareci de “plumas e lantejoulas”. E foi excelente. Relembrei os bons velhos tempos, encontrei amigos e conhecidos que não via há 4894895 mil anos, pelo que passei a maior parte do tempo a “dar no social”. A música estava excelente. É sempre bom ouvir um som ao jeito “M80”, em que o DJ conheceu o auge da sua carreira no tempo do vinil, e vermos toda a gente, à nossa volta, super divertida, com um sorriso nos lábios, sem querer que a noite acabe. Mais do que uma simples Festa de Verão, este é um reencontro de amigos, uma homenagem aos velhos tempos, que ficaram guardadinhos lá no passado, mas que todos queremos repetir. Muitos parabéns à Organização. Estava tudo fantástico e proporcionaram-me uma noite inesquecível. Para o ano podem contar com a presença do Lobo, não à Porta, mas a curtir à grande no Dancefloor.       
Felizmente, o meu rico fim-de-semana não ficou por aqui. Domingo, levantar tarde [na paz do Senhor], almocinho num restaurante que eu AMO, o "Gula do Meko" [depois prometo que faço uma “Review” sobre o dito], sornar na praia, sonzinho do Sunset no Bar do Peixe pelo DJ Vitamine  e, no final do dia, churrasquinho com os amigos. O que mais se pode querer da vida? 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Crónicas da India # 13 - Goa em Imagens

Crónicas da India # 12 - O Lobo em Goa

Após a fantástica visita a Mumbai, seguiu-se o último destino da nossa viagem: Goa. A saída da cidade foi tudo menos pacífica. Mais uma vez tivemos problemas com o comboio. Mesmo apesar de termos feito as reservas com um mês de antecedência, a três horas da partida ainda tínhamos cerca de 300 pessoas à nossa frente. E, ao contrário do que aconteceu em Delhi, não conseguimos resolver o problema. Fazer a viagem de avião estava totalmente fora de questão por causa do preço. Por isso, não nos restou outra solução que não viajar num autocarro de terceira classe. A viagem durou cerca de dezassete horas. Pneus furados, “estações de serviço” nojentas, com casas de banho “do além”, aconteceu-nos de tudo. Dormir foi uma missão completamente impossível, já que passaram, em loop, filmes de Bollywood aos altos berros. Espetacular. Quando estava pronta a cortar a jugular do motorista, lá chegámos a Margão, completamente amassados. Parecia que o próprio autocarro nos tinha atropelado. Felizmente, a inigualável hospitalidade indiana fez-nos esquecer tudo. A N., a L, e a Mama E., foram as melhores pessoas do mundo, e receberam-nos como ninguém [o Lobo está cheio de saudades].

Margão, a cidade das especiarias, é um local mágico. A presença portuguesa está bem vincada. O nome dos estabelecimentos, a fisionomia das pessoas, a gastronomia, a toponímia das ruas, são reveladores de quinhentos anos de História, bem presentes na memória dos goeses. Uma vez que são maioritariamente católicos, estão-se a marimbar para a história das vacas sagradas, pelo que pude provar, pela primeira vez na vida, língua estufada. E adorei. O restaurante, o Longuinhos , o mais antigo da cidade, é simplesmente fantástico e os pratos resultam da junção perfeita entre a nossa gastronomia e o exotismo do Oriente. Uma vez que não tínhamos muito tempo, optámos pela visita a Old Goa, berço da presença portuguesa na região. Património Mundial da UNESCO, foi a capital da India portuguesa até ao século XVIII, sendo composta por Igrejas, a “Basílica do Bom Jesus” e a “Sé Catedral de Goa”. Confesso que ver um Cristo coberto de sangue na Índia é absolutamente arrepiante, uma experiencia única, que jamais esquecerei. Estava a pisar solo português e não tive dúvidas disso.

Pangim e North Goa  fizeram, igualmente, parte do nosso percurso. Como também somos filhos de Deus, decidimos passar o fim-de-semana numa estância 4*, com tudo a que tínhamos direito: festa na piscina, spa, praia. Foi literalmente tudo à grande. Uma vez que o Resort era de um amigo da N., fomos tratados principescamente e não nos cobraram a estadia. Aliás, para pagar a comida tivemos que insistir muito. A hospitalidade indiana é de facto um fenómeno inexplicável. Ao fim de três semanas de privações, finalmente consegui sentir-me gente. O melhor foi quando me disseram para me arranjar porque íamos a um Night Club em Cape Town. Espetacular. Na mala só haviam andrajos bons para esfregar escadas. As indianas estavam vestidas como se fossem para a red carpet de Hollywood, e o Lobo parecia que ia limpar o Colombo às quatro da manhã. Maravilhoso. Lá tentei encenar uma maquilhagem decente e conjugar um vestidinho, que estava escondido no fundo da mala, com umas sandálias manhosas que tinha comprado em Deli [e que se iam desfazendo à medida que a noite avançava]. Confesso que me diverti à grande. Bebemos [álcool, finalmente, e do bom], dançamos, conhecemos um monte de gente que queria ensaiar o seu “português” connosco. Enfim uma festa. Por pouco não tinha trazido dez potenciais maridos na bagagem, já que o meu querido e amado irmão teve a triste ideia de gritar, em altos berros, que andava à procura de noivo para mim. Os “candidatos” não perceberam a piada e ficaram realmente interessados em arranjar uma esposa portuguesa. Bom, não é?   

A experiência em Goa foi fechar com chave de Ouro a mais terrível, brutal e espetacular viagem de toda a minha vida. Aprendi a controlar o sofrimento, a esconder a dor física, a ficar indiferente a feridos e mortos, a esconder a dó e a compaixão pelos pobres entre os mais pobres, a enxotar crianças pedintes. A ignorar as pequenas coisas que não aceitamos no dia-a-dia, como um restaurante sujo, ou lençóis cheios de gafanhotos. Afinal, mesmo à porta havia gente a morrer de fome, com uma folha de jornal para se tapar. Aprendi que tudo é relativo, que somos seres privilegiados por que nos puseram no sítio certo à hora certa. Temos conforto, cuidados de saúde, família, trabalho, uma casa. Por aqui está tudo bem. Por lá nem por isso. A India levou-me a fazer uma profunda introspeção sobre o caminho que tinha percorrido até então, as opções que tinha tomado, a importância da família, do Caeser, e dos amigos, e o valor relativo de quem só tinha feito de lastro na minha vida, e puxado para o fundo. Deixei a energia negativa que carregava com a oferenda que deixei a Lord Shiva, no Ganges, e, quando o avião descolou, sussurrei um: “Até Já”.