segunda-feira, 7 de abril de 2014

Passatempo - TAP Concretiza o Sonho

Querem ir viajar e a Troika não deixa? A mala está feita, mas o orçamento familiar não chega para Aquele destino de sonho?

Ora bem, não desesperem, a TAP Portugal concretiza o vosso sonho. Só têm que se inscrever no concurso "Deixe o seu sonho voar - A TAP oferece-lhe uma viagem". E a participação é muito simples:

- Escolham um dos sete destinos: Paris, Sal, Rio de Janeiro, Miami, Nova Iorque, Lisboa e Londres;
- Contem o Vosso sonho, que tem que envolver um destes destinos, de forma criativa, num texto com o tamanho máximo de mil caracteres.
- Depois, ilustrem-no com fotos, ou um vídeo, e partilhem com os vossos amigos do Facebook. - Os Sonho mais votados por destino recebem uma viagem para duas pessoas.

Vejam o regulamento completo aqui.  

Atenção porque o passatempo termina hoje e o Lobo já está na corrida. Rio aqui vou euuuuuu. 


domingo, 6 de abril de 2014

Meninas, para quando quiserem que algo voe da cozinha até vós

Contexto: Sofá, na moleza do pós-repasto

Ela: Querido, podes ir buscar-me o chocolate com amêndoas ao frigorífico?
Ele: Estou tão bem aqui. Vai lá tuuuu.
Ela: Se eu tivesse grávida, eras capaz de negar uma barra de chocolate ao teu filho?
Ele: Se tivesses grávida, é claro que ia buscar o chocolate.
(Silêncio)
Ele: Mas estás grávida????
Ela: Vai buscar o chocolate, e logo ficas a saber.

(Nunca falha, isto num suponhamos, obviamente) 

“Quem quiser passar além do Bojador, tem que passar além da dor”….

 … que é como quem diz: “quem quiser sair da Europa civilizada, tem que ir à Loja do Cidadão, gramar a bucha, e tirar o passaporte”.


Pois é, meus 5.75 leitores. Após horas de reflexão, o Lobo concluiu que o nosso grande poeta, Fernando Pessoa, nunca teria dedicado a sua épica obra: "Mensagem" à saga dos descobrimentos, se, no tempo dele, tivesse existido uma epopeia ainda maior, de seu nome “Loja do Cidadão”. 

Após ter andado, durante alguns dias [se calhar semanas], a empurrar o fantástico e espetacular momento da renovação do passaporte, o Lobo aborrecido lá se dirigiu a esse mítico estabelecimento. Em boa verdade, ao início, a coisa até nem começou mal. O sistema de senhas é porreiro e bastante user friendly. O funcionário que dava apoio era simpático e prestável, e até havia uma lugarinho muito jeitoso em frente ao guichet [o termo não está bem aplicado, mas ADORO esta palavra]. 

Até aqui, tudo muito certo. Mas, quando, passada uma hora, a bateria do telemóvel faleceu e levou embora o facebook, é que me comecei a aperceber da gravidade do problema. Desde que me havia sentado, a fila dos pedidos de passaporte NÃO tinha andado UM ÚNICO número. Anúncios como: “Excelentíssimos utentes, pedimos muita desculpa, mas as senhas A para o serviço X estão suspensas devido a uma falha informática” [e os gajos dos computadores vão demorar 5680958956 triliões de anos a detetar o problema, por isso, chapéu. Acrescentei mentalmente], ou: “Caríssimos fregueses, lamentamos muito pelo incómodo, mas o sistema informático da repartição B seguiu o exemplo da A e entregou a Alma ao Criador. Assim sendo, têm duas opções: ou montam uma tenda de campanha aqui à porta, para não perder a senha, ou vão morrer longe, e voltem cá para o mês que vem, quando tudo estiver reposto. ” [pronto, se calhar este último foi ouvido, apenas, dentro da minha cabeça. Mas juro que pareceu tudo muito real].

Anyway, esta questãozinha com o telemóvel, permitiu-me ir ouvindo os atendimentos à minha volta, e aprender coisas espetaculares:

[Menina do Guichet] - “O fornecedor é que passa a fatura com o IVA. Ou seja, põe o seu número de contribuinte, manda para Eles, e o senhor fica automaticamente inscrito no sorteio”. (Esclarecimento ao Senhor António, que estava muito aflito porque não sabia como é que se podia habilitar a um Audi);
[A mesma menina do mesmo Guichet] - “E o sistema é igual ao da lotaria. Há um sorteio, e, se ganhar, Eles ligam-lhe” [Eles?? Eles outra vez?? Mas quem raio é que são E-L-E-S? WTF? Deu-me vontade de perguntar, mas contive-me. Ahh, estão a ver. Lobo Bonito]
[Senhor António, se me estiver a ler, tenha isto em atenção. Pelo que eu percebi, o senhor já não tem “Patroa”. Ponha-se à viva, porque a menina do Guichet estava a dar a mesma conversa a todos os viúvos que lhe apareciam à frente. Eu estava lá e ouvi tudo. Com aquele ar profissional, ela quer é dar uma volta de topo de gama, e, a seguir, chumba-lha a reforma.]

Estava eu entretida a ouvir as explicações da Menina do Guichet a outro viúvo, que estava com um problema gravíssimo com os rendimentos e os IMIS, [tenho a certeza que, a seguir, ia esclarecer o senhor sobre a história do sorteio do Audi, mas já não apanhei essa parte.], e eis que chega o momento mais esperado do dia: A vez do Lobo:

[Doutora X] – “Muito bom dia, é para pedir a renovação de passaporte?
[Lobo] – “É sim, por favor.”
[Doutora X] – “Preciso do seu cartão de cidadão e do passaporte antigo”
[Lobo] –“Ups. Peço imensa desculpa, mas não o tenho comigo”.
[Doutora X] – “Foi roubado?”
[Lobo] –“Não”.
[Doutora X] – “Extraviou-se?”
[Lobo] –“Não”.
[Doutora X] – “Então, o que lhe aconteceu?”
[Lobo] –“Bom, fiz a mudança de casa há pouquíssimo tempo, tenho as coisas em caixas, e não o consigo encontrar.”
[Doutora X] – “E apresentou queixa na polícia?”
[Lobo] –“[Só se fosse para me prender, por ser uma pessoa pouco organizada] “Também não porque eu sei mais ou menos onde está, só não o encontrei.”
[Doutora X] – “Então vai ter que escrever uma declaração a justificar o sucedido”.
[Lobo] –“Ok, vamos lá despachar isto. [Doutora X, não me interprete mal. Eu até gostava de ficar aqui mais umas 5 horas a ouvir os atendimentos para ficar ultra expert em IMIS, Cabeças de Casal, e IRS encalacrados. Também adorava ganhar um AUDI. Aliás, com esta crise, dava-me um jeitaço. Ia ser o júbilo da massa associativa. Tenho a certeza que a menina do Guichet seria uma ajuda preciosa neste meu projeto. Apesar de ter a consciência que, se eu fosse um viúvo, ela seria ainda mais prestável. Lamentavelmente tenho mais que fazer, nomeadamente ir à minha vida, por isso, sim. Vamos despachar isto].


PS- Fiquei mesmo feliz por ELES não me terem ficado com o passaporte antigo. Apesar de já ter expirado, tem carimbos que quase me custaram a vida. India, Indonésia, China, Singapura, Maldivas, Hong Kong, Macau. Apesar de alguns de vocês quase me terem morto, como é que vos podia deixar ir, assim, embora da minha vida?

terça-feira, 1 de abril de 2014

Vou bater no animal que disse que…

… o elevador era o meio de transporte mais seguro do mundo. Ou melhor, vou mandar bater, porque não me apetece sujar as mãos. E passo a explicar os motivos da minha fúria:
Domingo de manhã, acordar cedo, perceber em que planeta estou. Caeser à espera, dia radioso de sol. Siga para a caminhada matinal e, depois, para o almoço em família. Problema: Um dos telemóveis ficou no carro. “Não há stress, eu vou busca-lo. E vou assim de pantufas porque é só ir à garagem”. Que alminha pura e ingénua. No regresso, quando estava, já no meu andar, oiço um estrondo. “Pronto, já foste, pensei. O elevador encravou.” E tinha encravado mesmo.

“Tem calma. Está [quase] tudo bem. É só tocar no botão da campainha e alguém há-de vir salvar-te”. Toquei uma, toquei duas, toquei três. NADA. Tentei a linha de apoio e NADA. “Ok, pensa, pensa, pensa. Respira fundo. Liga para casa. Ups, se calhar não liga. Os DOIS telemóveis estão, aqui, na minha mão, e os outros estão sem som”. Tirado por quem? Quem foi o imbecil que deixou a casa sem telefone? Quem foi? Quem foi? Quem foi? Eu própria, já que queria dormir até tarde. Espetacular. 

Comecei a dar murros na porta do elevador, e NADA. Apenas consegui ouvir o meu próprio eco. Felizmente, ao fim de umas 784379347534745 tentativas (pelo menos foi o que me pareceu, já que, na realidade, devem ter sido umas duas ou três), lá me atendeu uma menina simpática, a informar que a assistência ia sair de Lisboa e demorar uns 30 ou 40 minutos. “Venham e RÁPIDO, porque NÃO me estou a sentir nada bem”.

E efetivamente não estava. O pânico de ninguém me ouvir, associado ao facto de não me atenderem a MERDA do telefone, fez-me entrar em hipnose. Pelas costas e à má fila, as lágrimas foram-se apoderando da minha pessoa. E tive a perfeita noção que estava a perder o controlo da situação. Acho que já não me sentia assim desde o apertão que levei no Rock in Rio 2008, durante o concerto de Muse, quando achei que estava tudo ótimo, mas que ia ficar muito melhor quando fossemos para a frente do palco [e quase morremos esmagadas durante o Plug in Baby].
Voltando ao elevador, mesmo depois de me terem atendido, só me consegui acalmar quando ouvi uma voz conhecida a perguntar: “És tu quem está aí dentro? Estás bem? Tem calma, vou buscar uma cadeira e faço-te companhia até os tipos da assistência chegarem. Mas, primeiro, vou buscar qualquer coisa para comer. És servida?” [Ah, ah, ah. Que engraçado.].

Para animar a festa, e não querendo entrar em teorias da conspiração, para se vingarem da ida forçada à piscoza, os técnicos aconselharam que alguém fosse ao quadro elétrico desligar a energia do gingarelho. “Pode ser que a porta se abra”, diziam eles. Ahhh, desculpas da tanga. Obviamente que esta dica genial e espetacular, não só não funcionou, como piorou substancialmente a coisa. Senhores do elevador, se me estão a ler, para a próxima chamem o Freddy Krueger ou o Chucky, o boneco assassino, para me fazer companhia. Assim, o cenário do filme: “Terror no Elevador” será muito mais realista.

Mas, pronto, ao fim dos tais 30 ou 40 prometidos minutos, os tipos da empresa lá apareceram e salvaram o Lobo das garras do terrível e malévolo elevador. Para a posteridade, ficam as fotos, sendo de notar que o prédio tem 6 andares e que as pantufas, oferecidas por mamã, são lindas e maravilhosas. 

“Ela não é minha mulher, é minha NAMORADA!!!!!”

A propósito de uma conversa de café, ouvi, aí pela milionésima vez, um cavalheiro responder, com esta bonita frase, a alguém que lhe disse qualquer coisa como: “se a tua mulher visse isso, não ia achar graça nenhum”. E confesso, que, dado o tom de voz agressivo e a cara de poucos amigos da criatura, fiquei chocada. Fiquei sinceramente chocada. E sabem porquê? Antes de mais, é necessário analisar o papel da tal “NAMORADA” na vida do sujeito:

- Vive há uns 4584589568956856 anos com ele;
- Atura-lhe as merdas todas;
- Lava-lhe as peúgas e as cuecas [também conhecidas como trusses, expressão linda e espetacular];
- Aguenta a má criação dos filhos do primeiro “ajuntamento” de sua excelência;
- Sujeita-se a ficar sozinha, em casa, enquanto a criatura curte com os amigos e as “amigas” (as quais, ao que consta, não são assim tão poucas quanto isso);
- Trabalha nos negócios do gajo e, por isso, está financeiramente dependente dele (provavelmente é por isso que ainda o atura);
- Há anos que o houve roncar, e que suporta o cheiro a Old Spice do “ogro” (juro que cheira mesmo a esta épica fragância dos anos 90).

Acredito que o moço deva ter os seus encantos, nem que sejam os carros de alta cilindrada e o [aparente] elevado padrão de vida. Vá-se lá compreender, há quem faça tudo por uma mala Carolina Herrera, nem que seja do Freeport. Aceito, já para a loucura, que até goste dela e que a trate bem. Mas isso não lhe dá o direito de apelidar a rapariguita de “NAMORADA”, em tom depreciativo, como se de “uma qualquer” se tratasse.

Ok, não querendo entrar em muitos preciosismos, a pessoa com quem vivemos debaixo do mesmo teto, com quem partilhamos as contas e a nossa vida, será apenas namorado/a???  Por outro lado, e afinal de contas, ninguém se casou. Ninguém foi ao padre nem ao registo. Ninguém montou uma cerimónia pirosa e disse “SIM”. Portanto, marido/mulher também não será o termo correto. E companheiro, será a designação mais acertada??? Pessoalmente, acho que sim, apesar de ser, também, a mais foleira.

 Seja como for, a questão não é o que se diz, mas a forma como se diz. O tal “cavalheiro” perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado. Escusava de ter escandalizado um café cheio de gente, visivelmente chocada com tão brilhante tirada. E, em grande medida, de ter humilhado e faltado ao respeito à tal “NAMORADA”.

E o pior é que há por aí muitos espécimes deste calibre. Por isso minhas amigas, sigam o conselho do Lobo: Olhos bem abertos.