quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O Meu Caeser, o Amor e a tragédia do tempo

O Caeser está doente. Tem um dedo fraturado. Não sabemos como aconteceu, apenas sabemos QUE aconteceu. Talvez tenha sido durante um passeio. É irrelevante. Começou a coxear, foi ao veterinário e, após três Raio-X, foi-lhe feito o diagnóstico. “Tenham calma, estas coisas acontecem sem que nos demos conta. Agora, precisa de repouso, também já não é um cão novo”. E foi com estas palavras que saímos da clínica. A frase: “Já não é um cão novo” ficou a martelar-me o cérebro. Efetivamente, em Agosto, vai fazer dez anos que me apaixonei perdidamente pela bolinha de pelo que me roubou o coração. Só que, na minha cabeça, foi literalmente ontem. Foi ontem que destruiu [pela primeira de 5489569856 vezes] as estimadas plantas centenárias da minha mãe. Foi ontem que me partiu um pé, que violou a perna da prima velhota, que fez picadinho da mobília das duas salas. Mas o calendário diz que já passaram dez longos anos. Os melhores da minha vida. Olho para trás e não consigo lembrar o tempo antes do Caeser. É como se ele sempre tivesse existindo, sempre tivesse ocupado o lugar central da casa, das atenções. Sei que a maior parte das pessoas pensa que somos um bando de psicopatas, mas ele é muito mais do que um cão. Ele foi o grande responsável por sermos uma família mais unida. Tornou-nos seres humanos melhores, mais generosos, muito mais felizes. Por pior que o dia corra, por mais merdas e chatices que aconteçam, chegar a casa e ter aquele bruto a abanar o rabo de lontra, a saltar-me para cima e a tentar partir-me os dentes da frente…dá-me uma alma nova. Ao lado dele até posso estar triste… mas nunca estou muito triste. O Caeser não deixa. A boa energia dele toca o coração de uma pedra. E agora vêm dizer-me que o meu “Ci” está velho e que o tempo dele está a acabar. Como é que é possível. Não me conformo. Tenho o coração partido e combato, diariamente, o sentimento de pena e de tristeza. Já não olho o futuro como antes. É como fazer uma viagem que está a acabar, quando na verdade é injusto porque não está. Ainda vamos ser muito felizes juntos. Da mesma forma que não me consigo recordar de como era a vida sem ele, também não consigo imaginar como será o futuro sem ele. Grande merda, grande injustiça. Deus deu-nos a bênção de termos cães, mas depois fez a maldade de viverem sete vezes menos tempo do que nós. Essa parte deve ter sido imposta pelo Diabo. FUCK IT.   

3 comentários :

  1. Ola querida, me emocionei lento oque vc escreveu, ah 2 anos perdi meu cachorrinho com 15 anos ao meu lado, os rins dele parou de funcionar, sofri, chorei, e decidi que não tenho forças para passar por estas perdas e não tenho mais cachorro pq eu realmente nem superei a perda do meu cachorrinho, ele me viu crescer, casar, ele participou de metade da minha vida!!!atualmente estou com 30 anos.
    É verdade o tempo passa, a gente não ve a vida sem estas coisas fofas, são parte da nossa vida, e viver sem eles é uma outra parte, minha vida é diferente sem ele, a saudade sempre vem...oque eu te digo flor é que tenha forças, que curta seu cãozinho agora nesta nova fase da vida a velhice...aonde coisas começam aparecer sem motivos sem a gente entender, torne a vida dele o mais fácil e confortável possível, e aproveite cada momento!!!por que são momentos que não voltam mais depois sabe.Forças e aproveite muito esta nova fase da vida do seu cão, infelizmente temos que passar por isto, e você pode ajuda-lo observando no dia a dia como facilitar as coisas conforme tudo vai ficando diferente.bjs

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  2. Andreia I know what you mean ;-(
    o meu Aramis já tem 11anos e está muito velhinho e cansado... os meus filhos já choram a velhice dele... imagina 1 dia quando.... esquece não imagines que eu também não quero imaginar...

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  3. - Eles vivem menos que nós , apenas pelo fato deles nascerem sabendo o que nós demoramos a vida toda para aprender... Eles já nascem sabendo amar incondicionalmente , Deus nos deu a benção de tê-los do nosso lado , são amigos , companheiros , brincalhões , e estão do nosso lado nos momentos mais difíceis , nós nunca conseguimos nos imaginar sem eles , não conseguimos ver um futuro sem eles , dá até dor no peito sabe? Mesmo depois de irem embora , eles são eternos em nossos corações!
    Beijos.
    http://www.isadoramonteiro.com.br/

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